Rumo a um “nós” cada vez maior: tema do Dia Mundial do Migrante e do Refugiado 2021
“Na realidade, estamos todos no mesmo barco e somos chamados a empenhar-nos para que não existam mais muros que nos separam, nem existam mais os outros, mas só um nós, do tamanho da humanidade inteira.”
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O 107 º (DMMR) será celebrado a 26 de setembro de 2021. O título escolhido pelo Santo Padre para este ano é “Rumo a um nós cada vez maior”. É um apelo a esforçarmo-nos para que «no fim, oxalá já não existam “os outros”, mas apenas um “nós”» (Fratelli tutti, 35). E este “nós” universal deve tornar-se realidade sobretudo no seio da Igreja, a qual é chamada a fazer comunhão na diversidade.
A mensagem dividida em seis subtemas, dedicará uma atenção especial ao cuidado da família comum, o qual, em conjunto com o cuidado da casa comum, tem por finalidade aquele “nós” que pode e deve tornar-se cada vez mais amplo e acolhedor.
A fim de promover uma preparação adequada para a celebração deste dia, também este ano a Seção Migrantes e Refugiados do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral preparou uma campanha de comunicação, através da qual serão elaborados os seis subtemas propostos na Mensagem. Assim, serão apresentados mensalmente materiais multimídia, material informativo e reflexões de teólogos e especialistas que ajudarão a aprofundar o tema e os subtemas escolhidos pelo Santo Padre.
MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
PARA O 107º DIA MUNDIAL DO MIGRANTE E DO REFUGIADO
26 de setembro de 20201
“Rumo a um nós cada vez maior”
Queridos irmãos e irmãs!
Na carta encíclica Fratelli tutti, deixei expressa uma preocupação e um desejo, que continuo a considerar importantes: «Passada a crise sanitária, a pior reação seria cair ainda mais num consumismo febril e em novas formas de autoproteção egoísta. No fim, oxalá já não existam “os outros”, mas apenas um “nós”» (n. 35).
Por isso pensei dedicar a mensagem para o 107º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado ao tema «Rumo a um nós cada vez maior», pretendendo assim indicar claramente um horizonte para o nosso caminho comum neste mundo.
A história do «nós»
Este horizonte encontra-se no próprio projeto criador de Deus: «Deus criou o ser humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os criou homem e mulher. Abençoando-os, Deus disse-lhes: “Crescei, multiplicai-vos”» (Gn 1, 27-28). Deus criou-nos homem e mulher, seres diferentes e complementares para formarem, juntos, um nós destinado a tornar-se cada vez maior com a multiplicação das gerações. Deus criou-nos à sua imagem, à imagem do seu Ser Uno e Trino, comunhão na diversidade.
E quando o ser humano, por causa da sua desobediência, se afastou d’Ele, Deus, na sua misericórdia, quis oferecer um caminho de reconciliação, não a indivíduos isoladamente, mas a um povo, um nós destinado a incluir toda a família humana, todos os povos: «Esta é a morada de Deus entre os homens. Ele habitará com eles; eles serão o seu povo e o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus» (Ap 21, 3).
Assim, a história da salvação vê um nós no princípio e um nós no fim e, no centro, o mistério de Cristo, morto e ressuscitado «para que todos sejam um só» (Jo 17, 21). Mas o tempo presente mostra-nos que o nós querido por Deus está dilacerado e dividido, ferido e desfigurado. E isto verifica-se sobretudo nos momentos de maior crise, como agora com a pandemia. Os nacionalismos fechados e agressivos (cf. Fratelli tutti, 11) e o individualismo radical (cf. ibid., 105) desagregam ou dividem o nós, tanto no mundo como dentro da Igreja. E o preço mais alto é pago por aqueles que mais facilmente se podem tornar os outros: os estrangeiros, os migrantes, os marginalizados, que habitam as periferias existenciais.
Na realidade, estamos todos no mesmo barco e somos chamados a empenhar-nos para que não existam mais muros que nos separam, nem existam mais os outros, mas só um nós, do tamanho da humanidade inteira. Por isso aproveito a ocasião deste Dia Mundial para lançar um duplo apelo a caminharmos juntos rumo a um nós cada vez maior, dirigindo-me em primeiro lugar aos fiéis católicos e depois a todos os homens e mulheres da terra.
Uma Igreja cada vez mais católica
Para os membros da Igreja Católica, este apelo traduz-se num esforço por se configurarem cada vez mais fielmente ao seu ser de católicos, tornando realidade aquilo que São Paulo recomendava à comunidade de Éfeso: «Um só corpo e um só espírito, assim como a vossa vocação vos chama a uma só esperança; um só Senhor, uma só fé, um só batismo» (Ef 4, 4-5).
De facto, a catolicidade da Igreja, a sua universalidade é uma realidade que requer ser acolhida e vivida em cada época, conforme a vontade e a graça do Senhor que prometeu estar sempre conosco até ao fim dos tempos (cf. Mt 28, 20). O seu Espírito torna-nos capazes de abraçar a todos para se fazer comunhão na diversidade, harmonizando as diferenças sem nunca impor uma uniformidade que despersonaliza. No encontro com a diversidade dos estrangeiros, dos migrantes, dos refugiados e no diálogo intercultural que daí pode brotar, é-nos dada a oportunidade de crescer como Igreja, enriquecer-nos mutuamente. Com efeito, todo o batizado, onde quer que se encontre, é membro de pleno direito da comunidade eclesial local e membro da única Igreja, habitante na única casa, componente da única família.
Os fiéis católicos são chamados, cada qual a partir da comunidade onde vive, a comprometer-se para que a Igreja se torne cada vez mais inclusiva, dando continuidade à missão que Jesus Cristo confiou aos Apóstolos: «Pelo caminho, proclamai que o Reino do Céu está perto. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes de graça, dai de graça» (Mt 10, 7-8).
Hoje, a Igreja é chamada a sair pelas estradas das periferias existenciais para cuidar de quem está ferido e procurar quem anda extraviado, sem preconceitos nem medo, sem proselitismo, mas pronta a ampliar a sua tenda para acolher a todos. Entre os habitantes das periferias existenciais, encontraremos muitos migrantes e refugiados, deslocados e vítimas de tráfico humano, aos quais o Senhor deseja que seja manifestado o seu amor e anunciada a sua salvação. «Os fluxos migratórios contemporâneos constituem uma nova “fronteira” missionária, uma ocasião privilegiada para anunciar Jesus Cristo e o seu Evangelho sem se mover do próprio ambiente, para testemunhar concretamente a fé cristã na caridade e no respeito profundo pelas outras expressões religiosas. O encontro com migrantes e refugiados de outras confissões e religiões é um terreno fecundo para o desenvolvimento de um diálogo ecuménico e inter-religioso sincero e enriquecedor» (Papa Francisco, Discurso aos Diretores Nacionais da Pastoral dos Migrantes, 22/IX/2017).
Um mundo cada vez mais inclusivo
A todos os homens e mulheres da terra, apelo a caminharem juntos rumo a um nós cada vez maior, a recomporem a família humana, a fim de construirmos em conjunto o nosso futuro de justiça e paz, tendo o cuidado de ninguém ficar excluído.
O futuro das nossas sociedades é um futuro «a cores», enriquecido pela diversidade e as relações interculturais. Por isso, hoje, devemos aprender a viver, juntos, em harmonia e paz. Encanta-me duma forma particular aquele quadro que descreve, no dia do «batismo» da Igreja no Pentecostes, as pessoas de Jerusalém que escutam o anúncio da salvação logo após a descida do Espírito Santo: «Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia cirenaica, colonos de Roma, judeus e prosélitos, cretenses e árabes ouvimo-los anunciar, nas nossas línguas, as maravilhas de Deus» (At 2, 9-11).
É o ideal da nova Jerusalém (cf. Is 60; Ap 21, 3), onde todos os povos se encontram unidos, em paz e concórdia, celebrando a bondade de Deus e as maravilhas da criação. Mas, para alcançar este ideal, devemos todos empenhar-nos por derrubar os muros que nos separam e construir pontes que favoreçam a cultura do encontro, cientes da profunda interconexão que existe entre nós. Nesta perspectiva, as migrações contemporâneas oferecem-nos a oportunidade de superar os nossos medos para nos deixarmos enriquecer pela diversidade do dom de cada um. Então, se quisermos, poderemos transformar as fronteiras em lugares privilegiados de encontro, onde possa florescer o milagre de um nós cada vez maior.
A todos os homens e mulheres da terra, peço que empreguem bem os dons que o Senhor nos confiou para conservar e tornar ainda mais bela a sua criação. «Um homem nobre partiu para uma região longínqua, a fim de tomar posse de um reino e em seguida voltar. Chamando dez dos seus servos, entregou-lhes dez minas e disse-lhes: “Fazei render a mina até que eu volte”» (Lc 19, 12-13). O Senhor pedir-nos-á contas das nossas obras! Mas, para assegurar o justo cuidado à nossa Casa comum, devemos constituir-nos num nós cada vez maior, cada vez mais corresponsável, na forte convicção de que todo o bem feito ao mundo é feito às gerações presentes e futuras. Trata-se dum compromisso pessoal e coletivo, que se ocupa de todos os irmãos e irmãs que continuarão a sofrer enquanto procuramos realizar um desenvolvimento mais sustentável, equilibrado e inclusivo. Um compromisso que não faz distinção entre autóctones e estrangeiros, entre residentes e hóspedes, porque se trata dum tesouro comum, de cujo cuidado e de cujos benefícios ninguém deve ficar excluído.
O sonho tem início
O profeta Joel preanunciava o futuro messiânico como um tempo de sonhos e visões inspirados pelo Espírito: «Derramarei o meu espírito sobre toda a humanidade. Os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos anciãos terão sonhos e os vossos jovens terão visões» (3, 1). Somos chamados a sonhar juntos. Não devemos ter medo de sonhar e de o fazermos juntos como uma única humanidade, como companheiros da mesma viagem, como filhos e filhas desta mesma terra que é a nossa Casa comum, todos irmãs e irmãos (cf. Fratelli tutti, 8).
Oração
Pai santo e amado,
o vosso Filho Jesus ensinou-nos
que nos Céus se esparge uma grande alegria
quando alguém que estava perdido
é reencontrado,
quando alguém que estava excluído, rejeitado ou descartado
é reinserido no nosso nós,
que assim se torna cada vez maior.Pedimo-Vos que concedais a todos os discípulos de Jesus
e a todas as pessoas de boa vontade
a graça de cumprirem a vossa vontade no mundo.
Abençoai todo o gesto de acolhimento e assistência
que repõe a pessoa que estiver em exílio
no nós da comunidade e da Igreja,
para que a nossa terra possa tornar-se,
tal como Vós a criastes,
a Casa comum de todos os irmãos e irmãs. Amem.
Roma, em São João de Latrão, na Festa dos Apóstolos São Filipe e São Tiago, 3 de maio de 2021.
Francisco
Fonte: Seção para os Migrantes e Refugiados
O Vídeo do Papa de maio pede um mundo financeiro que cuide das pessoas
Em sua intenção de oração para o mês de maio, o Santo Padre pede que “as finanças sejam instrumentos de serviço, instrumentos para servir as pessoas e cuidar da casa comum” e reza para que os responsáveis pelo mundo financeiro protejam os mais necessitados.

O Vídeo do Papa, que apresenta a intenção de oração que Francisco confia à Igreja Católica por meio da Rede Mundial de Oração do Papa, concentra-se no mês de maio no mundo financeiro. O Santo Padre está preocupado com o fato de que o mundo financeiro, quando não regulado, torna-se um mecanismo de especulação que exclui as pessoas e não as protege. É por isso que, em meio a tantas economias em crise e tantas pessoas sem trabalho, ele pede aos católicos para rezar para que “os responsáveis pelo mundo financeiro colaborem com os governos para regulamentar os mercados financeiros e proteger os cidadãos de seu perigo”. Esta edição do Vídeo do Papa conta com a colaboração do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral.
Pouco mais de um ano após o início da pandemia de COVID-19, observam-se todos os tipos de consequências globais, das quais não se excluem as econômicas e financeiras. O Produto Interno Bruto (PIB) mundial, para nomear um indicador, sofreu em 2020 sua queda mais acentuada desde o fim da Segunda Guerra Mundial: milhões de pessoas estavam desempregadas ou com seus empregos suspensos, e os governos injetaram trilhões de dólares em suas economias para evitar maiores danos. A recuperação durante 2021 é muito incerta e uma desigualdade preocupante é observada: como o Santo Padre enfatiza em sua recente carta ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional, “muitos de nossos irmãos e irmãs na família humana, especialmente aqueles que estão às margens da sociedade, são efetivamente excluídos do mundo financeiro”. Por isso, é hora de reconhecer que os mercados – especialmente os financeiros – não se governam a si próprios. Os mercados devem estar amparados por leis e regulamentos que garantam o seu funcionamento, para que que as finanças – ao invés de serem meramente especulativas ou financiarem a si mesmas – trabalhem pelos objetivos sociais tão necessários no contexto da atual emergência sanitária global”.
Uma política não submetida à economia
Já na Laudato si, o Papa Francisco havia adiantado que a política e a economia, em diálogo, deveriam estar a serviço da vida, especialmente da vida humana (LS, 189). Em sua mensagem do Vídeo do Papa, ele também exclama: “Quão longe o mundo das grandes finanças está da vida da maioria das pessoas!” O medo é deixar que este mundo, dissociado da realidade humana e favorecido pela falta de regulamentação de muitos governos e políticas monetárias, prejudique os mais vulneráveis e faça com que os mais pobres paguem as consequências. “Esta situação é insustentável”, diz Francisco, “é perigosa”. Ele já advertiu isso em Fratelli tutti, denunciando “interesses de poder” que levam à criação de “uma nova cultura a serviço dos mais poderosos”, na qual “os pobres são os que sempre perdem” (FT, 52).
A liberdade de mercado e a pura especulação não podem resolver esse tipo de problema, pois eles não contemplam as desigualdades do tecido social. Por isso, cabe aos governos e aos seus modelos financeiros “reabilitar uma política saudável que não se submeta aos ditames das finanças” e que coloque a “dignidade humana no centro” para construir “as estruturas sociais alternativas de que necessitamos” (FT, 168).
Finanças justas, inclusivas e sustentáveis
O Padre Frédéric Fornos, SJ, Diretor Internacional da Rede Mundial de Oração do Papa, afirma que “essa intenção de oração deve ser entendida no contexto da crise que vivemos e que evidenciou a grande desigualdade que existe no mundo”. Ele lembrou o que o Papa Francisco disse na Laudato Si’: “os poderes econômicos continuam a justificar o sistema mundial atual, onde predomina uma especulação e uma busca de receitas financeiras que tendem a ignorar todo o contexto e os efeitos sobre a dignidade humana e sobre o meio ambiente”. Também fez referência às suas Catequeses sobre como sair da pandemia, intituladas “Curar o mundo”, em que Francisco destacou que não basta encontrar a cura do vírus para sair da pandemia, mas também do modelo econômico que está na base de um desenvolvimento injusto e insustentável. “O Papa voltou a repetir recentemente, continuou o Pe. Fornos: não podemos contentar-nos ‘com o regresso a um modelo de vida econômica e social desigual e insustentável, em que uma pequena minoria da população mundial possui a metade da riqueza. Por que rezar por esta intenção do Papa? Porque, como diz o Papa, para nos prepararmos para o futuro, devemos «fixar os olhos em Jesus» (Hb 12, 2), que salva e cura. Rezar à luz do Evangelho ajuda-nos a ver o mundo como Ele, a viver segundo o estilo do Reino de Deus, para que ‘o pão chegue a todos, que a organização social se baseie na contribuição, na partilha e na distribuição, com ternura; não em possuir, excluir e acumular’”.

Fonte: Rede Mundial de Oração do Papa
Novo lote com vacinas da Pfizer chegam ao Ceará

Fonte: Site Governo do Estado do Ceará
O novo lote enviado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), de responsabilidade do Governo Federal, chegou ao Estado, nesta segunda-feira, e, contém 17.550 doses da Pfizer/BioNTech, sendo a primeira remessa que chega ao Ceará desse imunizante. E contém mais 255.750 doses de Oxford/AstraZeneca, totalizando 273.300.
O governador Camilo Santana destacou o esforço do Governo para acelerar a vacinação no Ceará. Com a decisão da Justiça Federal, Camilo Santana espera regularizar a imunização da população com a Coronavac.
Esta é a terceira vacina recebida pelo Ceará, que já vinha imunizando sua população com a CoronaVac (Sinovac/Butantan) e AstraZeneca (Oxford/Fiocruz). Ao contrário das outras duas, a Pfizer/BioNTech necessita de um acondicionamento com temperatura mais baixa.
Com o avanço da campanha de vacinação, o Ceará está perto de começar a imunização do terceiro grupo prioritário, que contempla pessoas com comorbidades (doenças crônicas), deficiência permanente grave e grávidas. A comprovação de que possui algum desses pré-requisitos deve ser feita com a apresentação de um atestado, prescrição ou relatório médico especificando a indicação da vacina pelo médico.
Por Rodrigo Magalhães